8.2.16

Cuidados em primeiros socorros II

Um bom campista não deve esquecer de incluir em sua bagagem uma caixa de primeiros socorros, com ataduras e medicamentos que serão usados em casos de emergência ou para tratar de ferimentos menores. Além do material mais comum, podem-se acrescentar ataduras tubulares para dedo, pomada especial para queimaduras e picadas e até uma lente de aumento para facilitar a extração de espinhos. Quem se prepara para o camping deve ficar atento aos seguintes itens (veja figura), na hora de preparar a caixa de primeiros socorros:
Medicamentos
1 - Creme anti-séptico: para passar em cortes ou ferimentos pequenos e cobrir com um curativo.
2 - Pomada contra queimaduras e picadas.
3 - Aspirina: crianças devem tomar aspirina infantil e nunca por mais de dois dias seguidos, as menores de 5 anos, só depois de consulta médica.
4 - Pílulas para enjôo: quem sofre de náuseas deve tomar uma pílula 20 minutos antes de começar a viagem ou conforme instrução médica.
5 - Tabletes antiácidos: tome conforme as instruções em caso de má digestão. Quando a indigestão for persistente, consulte um médico.
Acessórios
6 - Banheira para olhos: utilize com água morna, para tirar do olho a poeira ou qualquer outro elemento estranho.
7 - Pinça com ponta em forma de espada: para remover espinhos ou lascas, trabalhe sempre em local bem iluminado, se necessário utilizando uma lente de aumento.
8 - Alfinetes de segurança: são utilizados para fixar ataduras ou para improvisar uma tipóia.
9 - Tesoura de curativos: use para cortar ataduras e curativos. Se o curativo estiver no paciente, atenção para manter em contato com a pele o lado não cortante.
Ataduras
10 - Use apenas para manter um curativo no lugar - nunca use ataduras sem um curativo. Se o ferimento estiver sangrando, coloque a atadura de maneira bem firme. Em qualquer caso, porém, evite deixá-la apertada demais, o que prejudica a circulação. Em locais de formato irregular, como mãos e pés, use as ataduras adaptáveis, elásticas.
Curativos
11 - Esparadrapo: para segurar a ponta livre de uma atadura ou para manter um curativo no lugar.
12 - Curativo de gaze: deve ser utilizado seco, sem nenhum óleo ou unguento, nos casos de queimaduras menores.
13 - Algodão: com sabão e água, para limpar o ferimento e também fazer uma camada, completando uma atadura num tornozelo torcido.
14 - Curativos adesivos, tipo band-aid: evitam que entre sujeira em pequenos arranhões ou cortes.

Convulsões 

Contração involuntária da musculatura, movimentos desordenados e, em geral, perda da consciência, a crise convulsiva costuma ser um momento muito "estressante". 
A primeira coisa que deve se ter em mente é que a maioria das crises dura menos que cinco minutos e que a mortalidade durante a crise é baixa. 
Assim, deve-se manter a calma para que se possa ajudar a pessoa.

Medidas protetoras que devem ser tomadas no momento da crise:

1 - Deitar a pessoa (caso ela esteja de pé ou sentada), evitando quedas e traumas;
2 - Remover de perto objetos contundentes (tanto da pessoa quanto do chão), para evitar traumas;
3 - Afrouxar roupas apertadas;
4 - Proteger a cabeça da pessoa com a mão, roupa, travesseiro;
5 - Lateralizar a cabeça para que a saliva escorra (evitando aspiração);
6 - Limpar as secreções salivares, com um pano ou papel, para facilitar a respiração;
7 - Observar se a pessoa consegue respirar;
8 - Afastar os curiosos, evitando aglomeração, dando espaço para a pessoa;
9 - Reduzir estimulação sensorial (diminuir luz, evitar barulho);
10 - Permitir que a pessoa descanse ou até mesmo durma após a crise;
11 - Procurar assistência médica.

Precauções:
Não jogue água sobre a vítima.
Não se deve imobilizar os membros (braços e pernas), deve-se deixá-los livres;
Não lhe dê tapas e nem tente balançar a pessoa. Isso gera falta de ar, deixe-a se debater  à vontade.
Não coloque os dedos dentro da boca da pessoa, involuntariamente ela pode feri-lo, ao invés, introduza um pedaço de pano limpo entre seus dentes.
Não dar banhos nem usar compressas com álcool caso haja febre pois há risco de afogamento ou lesão ocular pelo álcool;
Não medique, mesmo que tenha os medicamentos, na hora da crise, pela boca. Os reflexos não estão totalmente recuperados, e pode-se afogar ao engolir o comprimido e a água; Se a convulsão for provocada por acidente ou atropelamento, não retire a pessoa do local, atenda-a e aguarde a chegada do socorro médico.
Não realizar atividades físicas pelo menos até 48 horas após a crise convulsiva.

Asfixia/ sufocação 

Dependendo da gravidade da asfixia, os sintomas podem ir de um estado de agitação, palidez, dilatação das pupilas (olhos), respiração ruidosa e tosse, a um estado de inconsciência com parada respiratória e cianose (tonalidade azulada) da face e extremidades (dedos dos pés e mãos).
"Não importa a causa do desmaio ou asfixia; a vítima deve ser deitada com a cabeça mais baixa do que os pés, em lugar fresco e ventilado".
Afrouxe suas roupas para facilitar a circulação e a respiração, que podem ser estimuladas com palmadas leves no rosto e nas solas dos pés, panos molhados em água fria no rosto e pescoço, inalação de sais aromáticos, álcool ou água de colônia.
No caso de asfixia, deve-se remover a causa e fazer a respiração artificial como nos casos de afogamentos.


Como fazer:
Manobra de Heilmich –  Se a asfixia for devido a um corpo estranho, proceda assim (numa criança pequena):
Se o objeto estiver no nariz, peça à criança para assoar com força, comprimindo com o dedo a outra narina;
Se for na garganta, abrir a boca e tentar extrair o objeto, se este ainda estiver visível, usando o dedo indicador em gancho ou uma pinça, com cuidado para não empurrar o objeto; colocar a criança de cabeça para baixo, sacudi-la e dar tapas (não violentos, mas vigorosos) no meio das costas, entre as omoplatas, com a mão aberta.
Quando há algum objeto impedindo a passagem de ar, médicos muitas vezes se veem obrigados a perfurar com uma caneta, ou objeto equivalente, a parte frontal inferior do pescoço, perfurando a pele onde há pequena cavidade (na parte final da laringe, já próximo da traqueia).
Retirada a caneta, a pessoa pode passar a respirar pelo pequeno orifício.

Destacamos contudo que tal procedimento deve ser adotado por pessoas com conhecimento avançado de anatomia, para que não sejam atingidas artérias, cordas vocais, etc. 

É válido ressaltar que "ninguém pode ser condenado criminalmente" por tentar salvar a vida de terceiro, ainda que no socorro acabe provocando lesões como a fratura de uma costela, fato comum na hipótese de reanimação cardíaca. 
É que na hipótese se verifica a excludente de ilicitude denominada "Inexigibilidade de conduta diversa".

Procedimentos que, em hipótese alguma, devem ser praticados:
1 - Abandonar o asfixiado para pedir auxílio.
2 - Deixar o asfixiado nervoso.

Intoxicação e envenenamento 

São comuns os casos de intoxicações e envenenamentos.
E as primeiras medidas de socorro são fundamentais. 
Saiba como proceder: 
As intoxicações e envenenamentos são causados por ingestão, aspiração ou introdução no organismo de substâncias tóxicas. A depender da ocorrência, o indivíduo pode morrer ou ter sérias complicações se não for socorrido em tempo. 

Alguns produtos que podem causar intoxicações são substâncias químicas utilizadas em limpeza doméstica e de laboratório; venenos utilizados no ambiente da casa, como raticidas; entorpecentes e medicamentos em geral; além de alimentos deteriorados; e gases tóxicos.
Apesar que em um acampamento, será difícil alguém levar produtos tóxicos, pode haver em alguns casos, como ingestão de algum alimento venenoso (uma fruta, animal, ou até mesmo a água).

Sinais de alerta: 
Envenenamento por ingestão: 
Queimaduras, lesões ou manchas ao redor da boca; odores diferentes; hálito com odor estranho; transpiração intensa; dor ao engolir; dor abdominal, náusea, vômito, diarréia, convulsões, alterações na respiração ou na temperatura do corpo; sonolência etc.
Envenenamento por contato:
Manchas na pele, coceira, irritação nos olhos, dor de cabeça etc.
Envenenamento por inalação: 
Respiração rápida, tosse, irritação nos olhos etc.
O que fazer: 
Leve a pessoa para um local arejado. 
Afrouxe a roupa. 
Pergunte à vítima o que aconteceu. 
E leve-a imediatamente a uma emergência. 
Sempre que possível leve com você restos da substância, embalagens, recipientes que possam ter causado o problema.

Se a intoxicação for na pele, lave bastante o local afetado com água corrente.
E se a intoxicação for por ingestão, para eliminar o tóxico, deve-se provocar o vômito, enfiando o dedo na garganta do doente, mas é contra-indicado para intoxicações e envenenamento por derivado de petróleo. 
O médico deve ser consultado o mais depressa possível para verificar se há necessidade de lavagem gastro-intestinal.

Afogamentos

Cerca de 6 500 pessoas morrem anualmente afogadas. Muitas poderiam ser salvas se houvesse por perto alguém com os conhecimentos adequados para enfrentar essa situação.
Para salvar uma pessoa que corre perigo de afogamento, há quatro regras básicas: procurar algo com que possa alcançar a vítima; conseguir alguma coisa que possa ser atirada para ela; estar preparado para remar ou ir até a pessoa que está se afogando, de maneira a poder trazê-la até a margem com segurança.
Em acidentes próximos à margem, procura-se por um pau, uma tábua, uma corda, uma camisa ou um remo, qualquer coisa que possa alcançar a vítima. Quando ela está distante, atira-se uma bóia circular ou uma corda. Para isso, é preciso saber a técnica de lançamento de bóias.
No caso de ser necessário o uso de um barco, aproxima-se da vítima com a popa. Numa canoa, pare um pouco antes, de maneira que a vítima alcance inicialmente o remo, e depois a lateral do barco.
Atirar-se na água é um recurso, usado quando todos os outros não deram certo, ou não forem adequados. Depois de tirar, rapidamente, os sapatos e as calças, o salva-vidas deve segurar a camisa com os dentes. Ele deve pular o mais longe possível, mas sempre de pé, evitando assim a que a sua cabeça bata no fundo ou em algum objeto submerso. Ao se aproximar da vítima, uma ponta da camisa é segura pelo salva-vidas e a outra atirada para as mãos de quem está se afogando. Então, a vítima é "rebocada".
Realizar uma operação de salvamento com segurança requer mais do que boa vontade. Além de, evidentemente, saber nadar, é preciso conhecer bem as técnicas de salva-vidas e dominá-las por meio de muito treino.
1 -  De olho na pessoa que está em perigo de afogamento, salte o mais alto e o mais longe que puder, com as pernas abertas. Ao tocar a água, feche as pernas e baixe os braços depressa e com força. Suba à tona e comece a nadar.

2 - Sempre que for possível, procure se aproximar da vítima por trás. Vire-se de forma a ficar numa posição que facilite o reboque da vítima até a margem. Alcançando-a pelos ombros, agarre-a pelo queixo e traga-a à superfície.

3 - Em seguida, empurre os ombros da vítima para baixo do braço que você está usando para rebocá-la, mantendo o cotovelo sobre o peito dela. Mude de posição, agarrando-a pela axila. Procure envolvê-la ao máximo, com firmeza.

4 - Realizado por duas pessoas, o salvamento é mais seguro. No "dois-em-um", enquanto a vítima é rebocada, segura pelo peito, também é empurrada pelo pé. É uma técnica muito eficiente, principalmente se a vítima estiver vestida.

5 - Quando a pessoa em perigo de afogamento estiver inconsciente, nade na superfície e aproxime-se pela frente da vítima. O primeiro cuidado é agarrá-la inicialmente pela mão. Depois, segurá-la firmemente pelo pulso.

6 - Depois de agarrar a vítima pelo pulso, a operação seguinte será fazê-la girar até que fique com o rosto para cima, de maneira que possa respirar. Depois, procurando mantê-la nessa posição, comece a rebocá-l para a margem.

7 - Se  a pessoa que estiver se afogando tentar agarrá-lo, estenda o braço e afaste-a com um pequeno empurrão, mantendo a distância. Em seguida, nade em volta dela, até conseguir agarrá-la por trás com firmeza.

8 - Para ajudar uma pessoa exausta ou com cãimbras, use o "socorro do nadador cansado". Faça a pessoa flutuar com o rosto para cima, mantendo as pernas dela sob seus ombros. Em seguida nade calmamente até a margem.

No caso de afogamentos, é preciso agir depressa: 
Coloque a vítima de bruços, levante o seu corpo, pela barriga, a até uns 40 cm do chão e balance-o para tirar a água dos pulmões. 
Não perca mais de meio minuto nesta operação. 
Depois deite-a de costas e pressione-lhe o peito para acabar de tirar a água. 
Em seguida inicie a respiração artificial.
Faça o seguinte:
1 - Limpe a boca, o nariz e a garganta da vítima, que podem estar obstruídos por líquidos, vômitos e próteses dentárias; para isso use um pedaço de pano ou os dedos.
2 - Ajeite-lhe a cabeça de modo que fique o máximo possível para trás, deixando a parte dianteira do pescoço esticada..
3 - Levante-lhe o maxilar inferior, forçando-o para fora, de modo que os dentes inferiores fiquem mais para frente do que os superiores.
4 - Segure-lhe a língua para que ela não atrapalhe a entrada de ar.
5 - Feche-lhe o nariz.
6 - Adapte sua boca a do acidentado e sopre rápida e vigorosamente, até sentir resistência contra as paredes do tórax.
7 - Tire sua boca para que o paciente possa expirar.
Repita a operação de "doze a vinte vezes por minuto", ininterruptamente e ritmadamente, até que ele volte a respirar. 
Durante todo o processo de respiração boca a boca, outra pessoa deve ajudar, fazendo pressões ritmadas no tórax do paciente.


Um Parto Súbito

Parto é um ato natural e que sempre deve ser acompanhado por médico, parteira ou enfermeira.
Mas, em casos de emergência em um acampamento selvagem principalmente, ou outro local sem recursos, qualquer pessoa pode dar assistência satisfatória a um parto normal.
Para isso, a condição mais importante é a calma, além da consciência de que não se deve interferir no processo.

Conselhos básicos para uma situação como essa:

1 - Lave bem as mãos e conserve muito limpo tudo o que cerca ou entre em contato com a parturiente.
2 - Durante o processo de parto, não interfira; apenas ampare o corpo da criança que nasce.
3 - Após nascida, proteja a criança, evitando contato com locais sujos ou chão frio e úmido.
4 - Mantenha-a com a cabeça ligeiramente abaixada.

recém-nascido

5 - Caso o bebê, não esteja respirando, limpe-lhe a boca e o nariz com rapidez e cuidado. Coloque-o de cabeça para baixo para facilitar a eliminações de secreções. Aja com muita delicadeza.
6 - Ferva ou limpe com álcool uma tesoura e um barbante ou linha grossa, amarre o barbante ou linha em volta dor cordão umbilical, a cerca de 5 cm do bebê para interromper a circulação sanguínea do cordão; a seguir, amarre outro barbante em volta do cordão umbilical, a cerca de 10 cm do bebê. Entre os dois nós deve haver uma distância de 5 centímetros.



7 - Com a tesoura esterilizada, corte o cordão umbilical entre os dois barbantes.
8 - Mantenha mãe e filho agasalhados.
9 - Não lave a película de cor esbranquiçada que cobre o corpo da criança, pois ela protege a pele.
10 - Não tome qualquer medida em relação a olhos, nariz, ouvidos e boca do recém-nascido.

lindo bebê
Ufa! acabou neném, cê deu trabalho.

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