5.6.16

As regras do Camping Natural

O que é

O camping natural ou "ambiental", de natureza sócio-ambientalista, dispensa o uso de qualquer tipo de equipamentos sofisticados: sabendo improvisar com todos os recursos da natureza, sem depredá-la, respeitando-a e usufruindo de toda sua beleza.
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Não confundir com naturismo, camping selvagem ou com filosofia sobrevivencialista; trata-se de uma escola literária conhecida por ser a radicalização do Realismo, baseando-se na observação fiel da realidade e na experiência, mostrando que o indivíduo é determinado pelo ambiente e pela hereditariedade.

O Naturalismo esboçou o que se pode declarar como os primeiros passos do pensamento teórico evolucionista de Charles Darwin.
Naturalismo - não é mais que um sistema especial com um ponto de vista ou tendência comum a uma série de sistemas filosóficos e religiosos; não é mais que um bem definido conjunto de doutrinas afirmativas e negativas com uma atitude ou espírito que permeia e influencia muitas outras doutrinas.
Tal como o nome indica, esta tendência consiste essencialmente em olhar a natureza como a única fonte original e fundamental de tudo o que existe; e na tentativa de explicar tudo em termos da natureza. 
Ou os limites da natureza são também os limites da realidade existente; ou pelo menos a causa primária, se sua existência for considerada necessária, não tem nada a ver com o trabalho dos agentes naturais.

Todos os eventos, contudo, encontram a sua explicação adequada dentro da própria natureza. Entretanto, como os termos natureza e natural são eles próprios usados ​​em mais de uma conotação, o termo naturalismo também está longe de ter um significado fixo.
O naturalismo como forma de conceber o universo constitui um dos pilares da ciência moderna, sendo alvo de considerações também de ordem filosófica.
A saída - entretanto, para conter o avanço dos destruidores do meio ambiente, as autoridades não vêem outro recurso senão proibir sumariamente o campismo nos locais mais visados.
Com isso, os maus campistas arrastam consigo também aqueles que se preocupam em conservar e preservar a natureza.

Como discriminar uns dos outros

A política de Proibir para Preservar - única solução encontrada, até agora, pelos governos municipais e estaduais de coibir camping em algumas das mais belas áreas do país - se transformaria numa medida desnecessária se todos os que praticam campismo selvagem (feito fora dos campings organizados) aprendessem a desfrutar do meio ambiente sem destruí-lo.

Nunca se pode perder a perspectiva de voltar ao local escolhido, e por isso é preciso deixá-lo exatamente como foi encontrado, e isso é facilmente contornado pela busca das belezas mais simples que poucos descobrem: um amanhecer, um anoitecer ou um céu estrelado na companhia das pessoas que você mais gosta e escolheu.
Mas nem sempre é o desejo de uma vida mais simples, em contato com a natureza, que leva as pessoas a procurarem o campismo. 
A adesão maciça da classe média das grandes cidades a essa prática tem motivações que incluem desde a busca de novas amizades até uma alternativa mais barata para o turismo feito em hotéis.
Esse desvirtuamento das funções iniciais do campismo está transformando as áreas de camping organizado em verdadeiras extensões da vida na cidade: os mesmos vícios da sociedade de consumo são levados para os campings e até mesmo exigidos por muitos dos seus frequentadores.

O camping natural - também chamado "remotamente" de selvagem - possibilita não apenas maior mobilidade e variedade de opções quanto ao lugar, mas sobretudo a prática de uma mentalidade essencial ao campista: a de saber improvisar com seus próprios recursos.
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O que nem todos entendem é que essa improvisação - pescando, usando água pura de uma nascente, acendendo uma fogueira, colhendo e comendo frutos do mato - não implica, necessariamente, destruição do meio ambiente.
O "verdadeiro" campista convive harmoniosamente com a natureza, sabe compreendê-la e utiliza seus recursos, mas sabe respeitá-los. Não jogar detritos na água, não fazer fossa perto de rio ou não espalhar lixo na área e nem cortar árvores desnecessariamente são normas que sequer precisariam ser ditas.
Isso vai além desses princípios básicos de higiene e ecologia. 
Ele sabe, por exemplo, que a caça e a pesca não são atividades predatórias se forem feitas na época certa ou para sua própria subsistência, e com os devidos cuidados (em parques nacionais de outros países a permissão para caça e pesca visa a manter o equilíbrio ecológico, evitando-se a proliferação desordenada de certos animais).

Sabe que a coleta de lenha e a utilização das fogueiras não atentam contra a flora se forem observados vários cuidados elementares na escolha dos galhos e na segurança dos locais de fogo.
Mas você tem que ser paciente nos primeiros dias de acampamento, porque leva algum tempo para saber onde e como encontrar lenha, onde e como pescar, onde e como armar sua barraca sem ser atingido por inundações, árvores ou ventos.

Ao contrário do que se imagina, o camping natural oferece muito mais chances de aproximação com os moradores da região. Quando eles percebem que você está lá para curtir e não para depredar, eles próprios te ensinam todos os "macetes" do lugar.
O camping natural acarreta uma série de cuidados com a escolha do local, proteção da barraca, lixo, fossa, água, fogueira, proteção contra insetos e cobras, sempre visando à comodidade do campista sem a depredação da área. O essencial é utilizar o maior número possível de recursos naturais, evitando levar em sua bagagem equipamento sofisticado e desnecessário.

A arte consiste justamente em utilizar os recursos que estão à mão. Se você for acampar em praia ou perto de rio, prepare-se para os cardápios à base de peixe ao invés de feijoada em lata. Leve o mínimo possível de compras de super-mercado: você pode passar muito melhor com as frutas ou verduras da região.
A roupa e utensílios podem ser levados em mochila ou saco de lona, mais fáceis de arrumar do que as malas, arme a barraca em local protegido do vento, sempre com a frente voltada para o nordeste. 

Evite a proximidade excessiva do mar ou rio: há perigo de enchente ou maré alta, e não monte a barraca em depressão ou perto de brejos (há muitos mosquitos), forre o local com jornal ou capim; por dentro da barraca forre o fundo com jornal (ótimo para combater o frio e umidade).
Verifique se as árvores mais próximas não foram atingidas por raios e evite as mais velhas, elas podem cair e atingir a barraca. Acampe sempre perto de água (isso é um dos primeiros fundamentos), não lave louça na água corrente do rio, nem jogue restos de comida.

Os detergentes poluem as águas e desloca os peixes, lave a louça numa bacia em separado; o lixo deve ser queimado ou enterrado, e mantenha sacos plásticos para coletá-los, as latas podem ser enterradas, mas as garrafas devem ser levadas de volta.

O banheiro deve ficar longe do rio e da barraca (uns 50 metros), e quando for embora cubra completamente com terra; em dias de chuva use o fogão portátil por causa da lenha molhada, mas o interessante é usar a fogueira no camping natural, tanto para cozinhar como para esquentar o local, e principalmente afastar bichos e insetos.

Tenha cuidado com a coleta de lenha: nunca deprede as árvores, escolha sempre galhos caídos e secos; colha o bastante de lenha de dia para a tardinha acender a fogueira, sem ter o imprevisto de cair um temporal à noite. Para esquentar o local nos dias frios, cave um buraco raso e encha-o de pedras, tampe-o e faça uma fogueira em cima; o braseiro conservará o calor por muito tempo, mesmo que a fogueira se apague.

Use a beira do rio como uma geladeira natural, enterre garrafas ou alimentos embrulhados em papel alumínio na areia, além de conservar bem os alimentos, as bebidas ficam geladas. 
Para evitar os mosquitos (maruim principalmente) use óleo de cozinha; pode ser usado mesmo, principalmente de manhã, use roupas claras e antes usar é conveniente agitá-las e verificar sapatos e botas (podem ter aranhas ou escorpiões), deixe sempre a barraca fechada.

Jogue alho na fogueira (os insetos detestam o cheiro) ou ramos de folhas verdes sobre o fogo (isso produz fumaça, e os repele); sempre é bom ficar atento sobre o perigo das cobras, recomenda-se andar sempre de botas (72% dos acidentes ocorrem nos pés e tornozelos) e evite introduzir a mão em buracos no chão ou tocas.
Nunca deve arrancar plantas (vejo muita gente levando bromélias), deixe-as em seu estado natural, é tão bonito! 
Não corte árvores (vi campistas devastarem uma boa área), a não ser por um bom motivo, os animais não devem ser mortos (somente em casos de sobrevivência) nem afugentados com pedras e paus; ao sair verifique cuidadosamente a área para deixá-la exatamente da maneira como a encontrou: amanhã, o próximo campista poderá ser você mesmo!

Para saber um pouco mais:
Leia.. As regras para acampar



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